7ª Mostra de Teatro de Heliópolis

De 15 a 22 de agosto

Entrada Grátis

Idealização e produção: Companhia de Teatro Heliópolis e MUK Produções Realização: Governo do Estado de São Paulo — Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas

foto: David Rodrigues

Entrada GrátisDe 15 a 22 de agosto8 espetáculos + vivência
10–13seg a quiagosto
DRAMATURGIAS DO VESTÍGIO
foto: Guto Muniz
VIVÊNCIA

DRAMATURGIAS DO VESTÍGIO

CORPO, TERRITÓRIO E MEMÓRIA
De 10 a 13 de agosto, das 14h às 18h
Sede da Cia. de Teatro Heliópolis
Rua Silva Bueno, 1533 - Ipiranga
➜ Como chegar

A vivência Dramaturgias do Vestígio: corpo, território e memória compartilha procedimentos de criação desenvolvidos no espetáculo Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco, investigando como memórias, relatos, imagens, ritmos e experiências do território podem se transformar em matéria cênica. Em diálogo com a 7ª MTH, a atividade convida os participantes a investigar os vestígios, histórias e poéticas do próprio território, transformando essas experiências em criação coletiva. A condução será de Hercules Morais e Angela Ribeiro, na dramaturgia, e Paulo Victor Gandra, na pesquisa corporal.

Vagas: 20 vagasRealização: com o REC Instituto

Público-alvo: Artistas, estudantes de teatro, dança, performance, música e interessados em processos de criação cênica, independentemente de experiência prévia.

Informações pelo Instagram @mostraheliopolis

Mediadores

Angela Ribeiro

Angela Ribeiro

É atriz paraense formada pela EAD-USP e pelo CPT de Antunes Filho, com estudos em dramaturgia pelo SESI British Council. Recebeu o Prêmio Shell de Teatro em 2018 pelo texto Refluxo. No cinema, integra filmes como Ainda Estou Aqui, Biônicos, Cyclone, Raquel 11, Corações Sujos e Do Lado de Fora. Sua trajetória reúne escrita, atuação e forte presença na cena contemporânea.

@angelaribeiro2

foto: Caio Oviedo

Hercules Morais

Hercules Morais

Artista multidisciplinar, filósofo e pesquisador paulistano, premiado pelo APCA e Aplauso Brasil. Fundador do Instituto REC, articula estética, memória e política em criações que unem rigor artístico e escuta social. Doutorando em Medicina (UNIFESP) e psicologia (UNIZAR), com menção internacional em Oxford, é mestre em Psicologia pela USP. Atuou em 16 espetáculos, dirigiu ou co-dirigiu 7 trabalhos e hoje dirige Republikkk, obra inaugural de Os Brasis de Darcy.

@herculesmorais22

foto: Kim Leekyung

Paulo Victor Gandra

Paulo Victor Gandra

Ator, bailarino e performer, formado em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília. Pesquisa Antropologia Teatral, Arquétipos dos Orixás e manifestações afro-indígenas da cultura popular brasileira. Desde 2010 atua em Brasília e São Paulo, integrando o trabalho de artistas como Márcia Duarte, Giselle Rodrigues, Lee Taylor, Ciro Barcelos e Zé Celso. Em Republikkk assina atuação e direção de movimento, articulando corpo, rito e presença cênica.

@pvictorgandra

foto: Julio AraKack

15sábagosto
REPUBLIKKK — REC Instituto foto: Guto Muniz
20hPALCOCONVIDADO

REPUBLIKKK

OU ENCRUZILHADA NÃO É BECO
REC Instituto
Sede da Cia. de Teatro Heliópolis
Rua Silva Bueno, 1533 - Ipiranga
➜ Como chegar
Transporte gratuito do Metrô Sacomã até o local

Em um dia de festa, um homem comum, após brigar com Deus, revê a própria história e se pergunta como poderia ter evitado uma tragédia. Entre a roça e a cidade, o espetáculo investiga a resposta à pandemia e à reatividade de uma política polarizada. Vida e morte, a passagem do tempo e o que resta de esperança atravessam uma dramaturgia sobre um Brasil multiforme. Cruzes na terra vermelha, números em tábuas, pau-brasil e a gueroba que renasce com a chuva: histórias reais se cruzam com Darcy Ribeiro, a Folia de Reis e tradições ancestrais negras e indígenas. A obra transfigura o luto coletivo em memória, corpo e território.

Roda de conversa entre grupo e plateia, com mediação.

Gênero: DramaDuração: 80 minutosClassificação: 14 anos
@construcaoesteticadarealidade
Ficha técnica
Concepção e direção: Hercules Morais
Assistente de direção: Mariana Brand
Dramaturgia: Angela Ribeiro e Hercules Morais
Elenco: Emmanuelle Barcelos, Hercules Morais, Magno Argolo, Marcelo Villas Boas, Paulo Victor Gandra e Thiago Machado
Preparação corporal e direção de movimento: Paulo Victor Gandra
Preparação vocal: Hercules Morais
Direção de arte: Clissia Morais
Cenografia: Clara Lindorfer
Figurinos: Sandra Machado
Visagismo: Hercules Morais
Adereços: Olivio de Oliveira e Jesus Walkir Pedroso
Desenho de luz: Docini
Desenho de som e música original: Renato Navarro
Técnico de palco: Abner Felix
Produção: Fernando de Marchi
Realização: REC Instituto
16domagosto
TEIMAR ATÉ QUE BROTE — Coletivo Corpo Aberto foto: Leonardo Souzza
18hPALCO

TEIMAR ATÉ QUE BROTE

Coletivo Corpo Aberto
Sede da Cia. de Teatro Heliópolis
Rua Silva Bueno, 1533 - Ipiranga
➜ Como chegar
Transporte gratuito do Metrô Sacomã até o local

Teimar até que brote se inspira na organização das agricultoras urbanas periféricas da Zona Leste e mergulha no desafiador e poético processo de criação de uma horta comunitária na Zona Leste. A peça ecoa as vozes que revelam a imensa teimosia e o sonho coletivo necessários para transformar um terreno “Condenado a num dá nada”, repleto de lixo, pedras e cercado pela lógica urbana. Narrando a jornada desde a árdua remoção de pedras até a espera pelo brotar, a peça celebra a resistência de fazer vingar a vida em “Terra desenganada”, mostrando como a terra não só muda pessoas, mas também representa um ato profundo de fincar raízes de esperança e possibilidade em meio à disputa por espaço na periferia.

Roda de conversa entre grupo e plateia, com mediação.

Gênero: DramaDuração: 60 minutosClassificação: Livre
@coletivocorpoaberto
Ficha técnica
Direção: Veronica Avellar
Dramaturgia: Rafael Cristiano
Elenco: Danielle Rocha, Isa Souza, Jennifer Soares, Patrícia Bruschini, Thamara Almeida e Veronica Avellar
Composição de trilhas mecânicas: Rafael Vícole
Composições de canções: Jéssica Nunes
Preparação corporal: Daniele Laetano
Figurinos: Laís da Lama
Cenografia: Veronica Avellar
Musicista e cantora: Jéssica Nunes (sanfona)
Iluminação: Tomate Saraiva
Vídeo mapping: Leonardo Souzza
Orientação de pesquisa: Mulheres do GAU
Assessoria de imprensa: Nossa Senhora da Pauta
Mídias sociais: Tuane Júlia
Arte gráfica: Carlos Bertuol
Produção geral: Danielle Rocha
Produção executiva: Patrícia Bruschini e Tuane Júlia
18teragosto
O AUTO DO NEGRINHO — Teatro Terreiro Encantado foto: Sérgio Fernandes
14h30RUA / ESCOLAS

O AUTO DO NEGRINHO

Teatro Terreiro Encantado
CCA Heliópolis
Rua Coronel Silva Castro, 58 - Heliópolis
➜ Como chegar

Com direção de Cleydson Catarina e inspirado no cordel Negrinho do Pastoreio de Klévisson Viana, o espetáculo de teatro popular apresenta a lenda do Negrinho do Pastoreio, uma criança escravizada no sul do Brasil. A história do pequeno menino permeia o imaginário popular brasileiro e serve ao grupo Teatro Terreiro Encantado como reflexão sobre o genocídio da juventude negra, indígena e pobre nos tempos atuais. Com a oralidade da literatura de Cordel; a estética, religiosidade e musicalidade das Congadas; e as máscaras e bonecos das manifestações populares, os artistas convidam o público para um teatro ritualístico, onde o festejo é uma forma de rebeldia e resistência.

Gênero: DramaDuração: 60 minutosClassificação: Livre
@teatroterreiroencantado
Ficha técnica
Direção: Cleydson Catarina
Cordel: Klévisson Viana
Elenco: Cleydson Catarina (ator e bonequeiro), Rager Luan (músico, ator e bonequeiro), Rafael Fazion (músico) e Uberê Guelé (ator e bonequeiro)
Produção: Ju Dias
19quaagosto
FESTA NA ROÇA — Coletivo Piracema foto: Adriano Scanhuela
14h30RUA / ESCOLAS

FESTA NA ROÇA

Coletivo Piracema
CCA PAM
Rua Jovens do Sol, 128 - Heliópolis
➜ Como chegar

Na vida do interior, uma boa prosa acompanhada de um cafezinho fresco é irresistível. No palco, uma grande celebração acontece: o encontro entre velhos amigos que se juntam para brincar, jogar conversa fora e, é claro, se divertirem juntos! O público não fica de fora da festança não! São muito bem recebidos com músicas típicas ao vivo, como se estivessem na sala da nossa casa, pra se divertirem e desfrutarem das tradições interioranas e caipiras.

Gênero: ComédiaDuração: 50 minutosClassificação: Livre
@circocoletivopiracema
Ficha técnica
Direção: Coletivo Piracema
Cenografia e figurinos: Silmara Delariva
Direção musical: Franco Garcia
Elenco: Bruno Peruzzi, Danieli Maimoni, Denis Menezes, Franco Garcia, Hugo Delariva, Junior Taz, Katina Sousa, Rafael Magrim e Suelen Zacharias
Trilha sonora: Franco Garcia e Rafael Magrim
Composição musical “Chegança”: Hugo Delariva e Franco Garcia
Fotografia: Adriano Scanhuela, Diego Delariva e Vinicius Mena
Produção: Cia. Pé de Cana e MB Circo
20quiagosto
O CIRCO DA LONA PRETA — Trupe Lona Preta foto: Henrique Alonso
14h30RUA / ESCOLAS

O CIRCO DA LONA PRETA

Trupe Lona Preta
CCA Lagoa
Rua Flor do Pinhal, 2 - Heliópolis
➜ Como chegar

O Circo da Lona Preta é um espetáculo inspirado na tradição circense. Os palhaços Rabiola e Chico Remela reconstroem, de forma divertida, os símbolos do picadeiro, atualizando e dando novo vigor às clássicas cenas do circo tradicional e mambembe, nas picadilhas do imaginário periférico.

Gênero: ComédiaDuração: 50 minutosClassificação: Livre
@trupelonapreta
Ficha técnica
Direção: Sergio Carozzi
Elenco: Joel Carozzi e Sergio Carozzi
Figurinos: Leandro Benites
Produção: Cristiane Fernandes
21sexagosto
SUSPIROS E BURBUJAS — Laguz, Circo e Teatro Itinerante foto: Freddy Costa
15hRUA / ESCOLAS

SUSPIROS E BURBUJAS

Laguz, Circo e Teatro Itinerante
CEU Meninos
Rua Barbinos, 111 - São João Clímaco
➜ Como chegar

Romina Sanchez e Felipe Abreu dão vida aos palhaços Burbuja e Suspiro. Eles chegam carregando mais do que malas — trazem histórias, sotaques e uma paixão pelo circo que contagia. Em Suspiros e Burbujas, números tradicionais se transformam em cenas vivas: malabares viram dança, bolhas de sabão se tornam poesia no ar, e o público se faz parte essencial da brincadeira. Um espetáculo que celebra o que o circo tem de melhor: a capacidade de unir pessoas através do riso.

Gênero: ComédiaDuração: 50 minutosClassificação: Livre
@laguzcirco
Ficha técnica
Direção: Laguz Circo
Criação e interpretação: Felipe Abreu Pereira e Romina Sanchez
Figurino: Romina Sanchez
Cenotécnico: Felipe Abreu Pereira
Cenário: Cia Laguz Circo e Teatro
Maquiagem: Cia Laguz Circo e Teatro
Orientação cênica: João Lima
Produção: Romina Sanchez
NITRIDO — Cavalo Teatro foto: David Rodrigues
20hPALCO

NITRIDO

OU A DRAMATURGIA DE CAVALO
Cavalo Teatro
Sede da Cia. de Teatro Heliópolis
Rua Silva Bueno, 1533 - Ipiranga
➜ Como chegar
Transporte gratuito do Metrô Sacomã até o local

Eu corpo humano, narra o encontro da fome, da feira, do lixo e da humanidade em sua cavalaria periférica. Jardim Romano de Ururay em seu extremo, sendo a borda do Rio e o contorno do bairro.

Roda de conversa entre grupo e plateia, com mediação.

Gênero: HíbridoDuração: 70 minutosClassificação: Livre
@cavaloteatro
Ficha técnica
Dramaturgia e direção geral: Laís Cafari
Coordenação de produção artística: Trinity
Elenco: Abraão Kimberley, Dante Preto, Janderson Fundação, Jefferson Silvério, João Carlos Pinto, Ricieri Palha e Will Belarmino
Substitutos: Abraão Victor Ramos, Mateus Jesus e Efraim Canuto
Orientação junto à direção: Lúcia Kakazu
Preparação corporal: Gisele Calazans
Preparação vocal: Tâmara David
Provocação corporal: Nina Giovelli e Verônica Corpo Santos
Coreografia “Das trocas”: Claudiana Honório
Coreografia “Capoeira”: Rafael Oliveira e Laís Cafari
Provocadora textual de elenco: Jhonnã Bao
Produção executiva: Lisa Ferreira
Assistente de produção: Jéssica Oliveira e Vini Ranieri
Concepção de cenário: Laís Cafari
Confecção de caixotes e carrinho: Wanderley Wagner da Silva
Arte dos caixotes: Julia Morinaga
Figurinista: Mara Carvalho
Orientação de dramaturgia: Jessica Nascimento Olaegbe
Nutricionista: Melissa Tarrão
Acessibilidades: Regiane Eufrausino, Dienani Santiago e Natália Belo
Intérpretes de libras: Ricieri Palha, Will Belarmino e Efraim Canuto
Designer: Tamii e Melissa Centurion
Fotografia: David Rodrigues e Nah S. Prado
Comunicação: Isabela Escudeiro
Filmaker: Gustrago
Criação de músicas: Abraão Kimberley, Dante Preto, Janderson Fundação, Jefferson Silvério, João Carlos e Laís Cafari
Faixa das “trocas”: Lucas F. Paiva
Agradecimentos: Coletivo Estopô Balaio, Cia Quatro Ventos, Luzia Andrade, Movimento Cultural Ermelino Matarazzo e aos moradores do Jardim Romano
22sábagosto
PARELHA — Núcleo Parelha foto: Cristhiane Evangelista
20hPALCO

PARELHA

UM OLHAR SOBRE A REALIDADE
Núcleo Parelha
Sede da Cia. de Teatro Heliópolis
Rua Silva Bueno, 1533 - Ipiranga
➜ Como chegar
Transporte gratuito do Metrô Sacomã até o local

Há 198 anos, dois cavalos, Santa Cruz e Parelheiros, correm sem parar por uma das regiões mais esquecidas de São Paulo: Parelheiros. Em uma laje na periferia, Fena e Cambuci revelam histórias de um território marcado por promessas e muros. Prestes a completar 199 anos, Parelheiros decide parar de correr pela primeira vez, entrando em conflito com seu irmão, Santa Cruz. O espetáculo coloca a periferia no centro da cena. Afinal, onde tem corda, tem cavalo.

Roda de conversa entre grupo e plateia, com mediação.

Gênero: DramaDuração: 60 minutosClassificação: 14 anos
@parelha.projeto
Ficha técnica
Concepção, atuação e música em cena: Dionísia Gonçalves e Maria José Alves
Direção: Juliana Pardo e Alício Amaral (Cia Mundu Rodá) e Núcleo Parelha
Dramaturgia: Cristiane Sobral e Núcleo Parelha
Direção musical: Gregory Slivar
Trilha sonora e composição ao vivo: Dionísia Gonçalves
Preparação vocal: Dionísia Gonçalves
Preparação corporal: Juliana Pardo e Alício Amaral (Cia Mundu Rodá)
Criação e operação de luz: Kenny Rogers
Assistente de iluminação: Bianca Pereira
Criação e concepção de cenário: Wanderley Wagner e Núcleo Parelha
Concepção de figurino: Macarena Rozic (Reviver Ateliê)
Hairstyle: Mestiça
Fotografia laje: Kenny Rogers
Design gráfico: Adi Alves
Fotografia: Cristhiane Evangelista
Operação de som e cenotecnia: Gilson Lande
Consultoria musical: Gilson Lande
Consertos e manutenção técnica: Luthieria Fênix Sg
Intérpretes de Libras: Nzambiapongo e Tamy Guimarães
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Produção geral: Núcleo Parelha
Produção de campo: Sula Silva
Assessoria contábil: Juliana Santana
Realização: Núcleo Parelha

Quem cala sobre teu corpo/ consente na tua morte/ Talhada a ferro e fogo./ Nas profundezas do corte [...]

Milton Nascimento e Ronaldo Bastos (Menino)

O que se selecionou para a sétima edição da Mostra de Teatro de Heliópolis: o teatro na periferia

por Dalma Régia e Alexandre Mate

Em seu colossal poema Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente), escrito em abril de 1964, e, já no exílio, o amazonense Thiago de Mello, em seu “artigo final”, afirma: “Fica proibido o uso da palavra liberdade,/ a qual será suprimida dos dicionários/ e do pântano enganoso das bocas./ A partir deste instante/ a liberdade será algo vivo e transparente/ como um fogo ou um rio,/ e a sua morada será sempre/ o coração do homem”.

Ler o texto completo da curadoria

Assim como a liberdade, há uma tonelada de palavras que teriam de ser resgatadas dos mais variados pântanos de mentira e perversidade ideológica. Uma delas, permanentemente apresentada a partir de sua contraface, é periferia. Temos de partir do princípio de que o Brasil (todo ele) é um país periférico, posto que muito distante dos centros de comando do mundo. Desse modo, a Faria Lima e qualquer rua das comunidades de favela do Brasil encontram-se nas periferias, ainda que a primeira mencionada manipule tudo o que for possível para que, nas periferias mais distantes onde moram e vivem os exércitos de reserva, excluindo a si mesmo e seus/suas comparsas, a desigualdade permaneça.

Isto posto, uma seleção de espetáculos para uma mostra, em sua sétima edição, tem de se balizar, e sempre que possível, por determinações e circunstâncias mais objetivas. Sim, somos todos periféricos e periféricas, mas, nesse contingente, por meio de normas reguladoras a impedir nosso discernimento, as ditas “minorias”, a compreender as mulheres, as pessoas negras, gente pobre, aquele bando de sujeitos fora dos quadros da heteronormatividade, os trabalhadores e trabalhadoras... temos de entender quem está de um lado e outro das trincheiras de exclusão.

A partir de tal critério, ou seja, estar do lado de cá da fronteira de luta de classes (porque para nós nada é “moleza!”), selecionamos obras protagonizadas por mulheres e homens em sua luta cotidiana contra as opressões e as fomes reais e aquelas travadas nas arenas de disputa por uma vida dignificada. Por intermédio de tal pressuposto, se entende que uma obra teatral, além de épica (que diz respeito a estar cravada em territórios da história real e em comunidades distintas), com partitura porosa (porque teatro é relação) tem de adotar o ponto de vista da maioria, radicalmente. Assim, a repetir deliciosa afirmação popular: “nóis é Jeca, mais é joia”, oras!

Em um processo de seleção para o qual 220 obras foram inscritas, 7 delas foram selecionadas e uma delas convidada, a partir de suas temáticas e tratamentos estéticos. As obras adultas a compor esta edição transitam com temáticas urgentes e necessárias nos espetáculos adultos, e em cujo edital se solicitava que fossem para espaço fechado. Nas obras destinadas sobretudo às crianças, foram selecionadas obras a transitar com danças brasileiras, circo, encantamento e tradições das formas populares de cultura.

Para finalizar, após os espetáculos apresentados, e de acordo com procedimento ocorrido em todas as edições, serão desenvolvidos bate-papos com os conjuntos criadores e, também, serão apresentadas leituras críticas de todas as obras.

Portanto, viva o teatro de grupo brasileiro que, por intermédio de suas obras, tem contado e cantado as periferias!

Ficha técnica da Mostra
Idealização e produção: Companhia de Teatro Heliópolis e MUK
Curadoria: Dalma Régia e Alexandre Mate
Direção artística: Miguel Rocha
Direção de produção: Daniel Gaggini
Produção: Dalma Régia
Direção técnica: Davi Guimarães
Assistente de produção: Laíza Cardoso
Técnico de iluminação: Alex Duarte e Lucas Felipe
Técnicos de som: Lucas Bressanin
Olhar crítico: Alexandre Mate
Monitores: Álex Mendes e Antônio Valdevino
Assessoria de imprensa: Eliane Verbena
Identidade visual: Rick Barneschi
Mídias sociais: Luiz Fernando Ferreira
Foto (capa): David Rodrigues
Fotos (espetáculos): Adriano Scanhuela, Bob Sousa, Caio Oviedo, Cristhiane Evangelista, David Rodrigues, Freddy Costa, Guto Muniz, Julio AraKack, Kim Leekyun, Leonardo Souzza, Natália César, Noelia Nájera e Sérgio Fernandes
Site: Rafael Érnica
Revisão de textos: Luciana Rossi
Fotos (evento): Weslei Barba
Equipe de vídeo (evento): Jéssica Murta, Rafael Michelato e Victória Elizabeth
Edição/montagem vídeos: Pedro Micaelia
Intérprete de Libras: Cláudia Oliveira e Letícia Oliveira
Empresa de transporte: M&M Transporte
Limpeza: Denise Veloso

Idealização e produção: Companhia de Teatro Heliópolis e MUK Produções
Realização: Governo do Estado de São Paulo · Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas
São Paulo, agosto de 2026